Ódio político: isso não vai acabar bem

Ódio político: isso não vai acabar bem

Ódio político: isso não vai acabar bem – Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

 

O ódio político, destilado em formas de intolerância e aversão ao debate, incide sobre as massas e provoca um acirramento constante. O cenário não é positivo.

A substância do ódio político é a intolerância às concepções alheias. Não se aceita em nenhuma hipótese que o outro defenda o que parece indefensável.

Opiniões são contestadas sem argumento plausível, numa truculência pormenorizada pela mais sólida das ojerizas: a de classe.

No afã insano de contestar aquilo que lhe parece repulsivo, o sujeito transita entre linhas de ação e raciocínio que beiram a selvageria.

Não são homens livres de pensamento, não são resultados da evolução dos tempos, não estão em conformidade com a era em que vivem: o homem que é conduzido e conduz ódio político dentro de si é fac-símile das feras mais bestiais.

Ademais, se houvesse discussão sadia sobre a política brasileira, o cenário seria outro.

A ideia de que os cidadãos adentraram na guerra partidária para dela sair somente depois de ver sangue jorrar adquire cores vivas no noticiário.

Nesta semana duas notícias se entrecruzaram na perspectiva do confronto.

A primeira delas dava conta de que armas brancas e de fogo haviam sido encontradas num automóvel que pertencia aos manifestantes pró-impeachment acampados nos gramados do Palácio do Planalto.

A segunda, mais recente, relatou os fatos do confronto entre estes mesmos manifestantes e a Marcha das Mulheres Negras.

Supondo que tenha havido provocações de parte a parte, nada justifica a posse de armas e bombas.

E quais seriam as verdadeiras intenções de manifestantes ditos pacíficos que se estabelecem sob a força de uma arma de fogo?

Leia também: A generalização do ódio político

Onde está o pacifismo de quem se arma diante do poder institucional, reivindicando, mas ao mesmo tempo utilizando formas de intimidação?

Ainda que a ideia do impeachment ou do afastamento da presidenta seja discutível, como entendê-la sob alaridos vociferantes?

Ninguém, em sã consciência, pretende que as opiniões sejam uniformes.

A democracia é um sistema que privilegia a divergência de pensamento. É muito justo que todos conservem suas ideologias, mas que, por isso, não rechacem com ódio as alheias.

Porque a onda moralista que parece querer limpar o Brasil pode ser o caminho aberto para a disseminação de um protofascismo como efeito colateral.

Não se enganem os incrédulos: ódio e intolerância não são causa e nem combustível para reações às instabilidades econômicas e políticas de um país.

E, mantendo este intenso conflito social, nada mais haverá além de acirramento de forças.

E isso não vai acabar bem.

base10

1 Comentário

  • Assim como milhões de brasileiros honestos, em 2013 participei dos protestos contra essa corrupção “legalizada”, observei pessoas saindo do trabalho para se manifestar pacificamente e mesmo assim o governo mandou a polícia atirar bombas e bala de borracha. Porque os manifestantes devem protestar desarmados se o governo corrupto usa a polícia armada? Em 2013 varias pessoas ficaram cegas por cause de tiros de bala de borracha, apenas por protestarem contra a corrupção. Para quem ganha $$$ do governo está ótimo, dane-se a crise, mas pergunte se está tudo certo com um trabalhador que perdeu o emprego e não tem $$$ para pagar aluguel, alimentação, remédios para os filhos. Na África governos corruptos usam a polícia para repreender, aqui no Brasil estamos vendo o mesmo.

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